Como tudo, cozinhar tem diferentes conceitos, estes diferem de pessoa para pessoa, e com tal, há que goste, há quem não goste, há quem ache uma verdadeira seca e há quem adore... são opiniões, e apesar de cozinhar ser a minha verdadeira paixão, não torna este facto discutível... embora sinceramente me custe muito a perceber como é que é possível haver quem não se sinta contagiado pela fascinante arte de cozinhar, de conjugar aromas, sabores, cores e perfumes, de todo o ritual da preparação de um prato, da emoção e excitação de procurar um perfeito equilíbrio dos ingredientes e assim ver nascer novos sabores, pratos, cozinhas, de não ficar maravilhado com toda a alquimia, quase magia que se passa numa cozinha.... Mas, enfim são opiniões!! No entanto o que não é discutível é o prazer da mesa, porque sejamos sinceros, quem não encontra alegria em prato algum, têm um grave problema, pois o tempo em que a alimentação era um mero acto de subsistência já lá vai há muito.....  E assim porque o mundo da cozinha é vasto, para todos os que não gostam de cozinhar, para todos os que não têm tempo e para todos os outros não queria deixar de partilhar uma cozinha inventiva, original, alegre, colorida, musical, e muito... minha!!!

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Um país que não é meu mas é como se fosse - uma espécie de crónicas de viagem






 Rua típica de bares de tapas, Burgos









Há sítios que marcam a nossa infância, para mim, mais do que tudo, mais do que o sítio onde passo todos os Verões, mais do que o Algarve onde vivi até aos meus 4 anos, mais do que qualquer terrinha dos Alentejos, Ribatejos, Beiras, e afins (e que atenção, adoro de morte), o meu primeiro sítio de eleição é uma vila no centro norte de Espanha, chamada Burgos.
casa típica de presuntos e chorizos
Fizemos a viagem até ao sul de França de carro, o que permitiu passar por várias "capelinhas" entretanto, de maneira que os dois primeiros dias (e os últimos dois) foram passados em Espanha. É engraçado mas mal ponho os pés em terras espanholas, seja elas quais forem, já conhecidas ou completamente novas, entro numa felicidade quase plena. Da língua já um pouco esquecida, à alegria, energia e estado de espírito daquele povo, ao bom gosto presente por todo o lado, e ao próprio ambiente que emana em cada vilazinha ou cidade... "m'encanta"
E assim passamos por Salamanca, Tordesillas, Valladodlid, BURGOS, Bilbao e San Sebastian antes de chegar a França, e embora só conhecer duas das cidades, todos elas me fizeram a sua maneira recordar momentos muito importantes da minha infância e acima de tudo momentos muito felizes. E claro está, como nem podia deixar de ser, a comida não e excessão a trazer de volta um sem fim de memórias.







Desde pequenina que comecei a comer presunto, queijo manchego, queijo de burgos, tortilla com tomate frito e um sem fim de petiscos tipicamente espanhóis pelos quais sempre fui louca. A verdade é quando penso em comida espanhola penso sempre em "picar", isto é nas tapas, pintxos e cazuelitas... o que está completamente errado porque a cozinha espanhola é riquíssima, e muito variada, pois tal como a cozinha portuguesa que apesar de elementos de ligação gerais difere de região para região. E esta magnifica cozinha é responsável inclusive por algumas das melhores refeições da minha vida!! O que acontece é que tudo o que em tamanho pequeno sempre me seduziu mais do que qualquer coisa, e de facto as tapas são chamadas pelos espanhóis, como cozinha de miniatura. Depois todo aquele ambiente que gira em torno dos barzinhos de tapas, de todas aquelas barras e tabernas é de uma alegria tão pura, a simples capacidade de transformarem a tradição e a rotina numa enorme animação sempre me fascinou, e é capaz de ser mesmo uma as minhas coisas preferidas deste país, uma cultura que se enraizou de certa forma na minha família e por isso esteve sempre bastante presente para mim, mesmo vivendo em Portugal. 
Embora haja quem diga que as tapas são herança dos árabes, os espanhóis defendem que as tapas são tradicionalmente do país basco*, mas sendo tão apreciadas, depressa se tornaram parte da cultura gastronómica de todo o país, apesar do país basco nunca ter deixado de ser considerado o rei das verdadeiras tapas. A esta actividade de ir em bar em bar, ou de taberna em taberna os bascos chamam "txikiteo", ou "poteo", nome dos copos de barro onde bebiam o vinho ou cerveja, o qual vinha sempre acompanhado com algum petisco (supostamente nestas zonas os principais trabalhos eram muito árduos, e era frequente comerem muito pouco durante o dia, assim os petisquinhos serviam também para deixar que as bebidas "não caíssem mal"), tradicionalmente é uma actividade social, feito com um grupo de amigos ao final do dia antes do jantar, nos dias de hoje substituem muitas vezes as refeições.

Tortilla



Bar de Tapas em San Sebastian


As tapas podem ser servidas quentes ou frias, em diferentes formas (embutidos, pintxos, cazuelitas, banderillas, platillos, bocadillos...) e diferem de região para região. Qualquer cidadezinha espanhola que se preze, principalmente no centro e norte, tem uma ruazinha só com bares de tapas, e é aí que devem ir, pois como acontece em todo o lado, principalmente nas cidades mais turísticas, existem sempre algumas tabernas feitas única e exclusivamente para os turistas onde os preços são mais que inflacionados e é tudo uma bela de uma tanga, que não tem comparação com as verdadeiras tapas. 
Ao princípio as tapas eram apenas azeitonas, simples ou recheadas, fatias de presunto e morcela (como a morcilla de Burgos que é delicioooooooooosa), queijos, tortillas, legumes marinados e pouco mais servidos em pratinhos ou fatias de pão. Com o tempo foram incorporados outros embutidos como as empanadas e outros à base de frutos do mar e peixes em conserva e logo a seguir vieram também os pimentos, os cogumelos recheados, os ovos, os molhos e todos os detalhes de finalização. Com o desenvolver na gastronomia os modos de apresentar as tapas foram mudando ligeiramente, sendo como é natural que foram ficando umas para trás e adicionando outras, como os pratos típicos das regiões servidos em porções mais pequenas.


Croquetas de Jámon

Calamares



A verdade é que as tapas encantam tudo e todos, são práticas, rápidas e deliciosas, e hoje em dia espalharam-se de certa forma um pouco por todo o mundo na dita "Finger food" e é adaptada por tudo visto que as principais linhas orientadoras são apenas a imaginação e o gosto pela comida.

(*  que se estende ainda por parte de França, o que é muito curioso de ver o casamento da cultura mais "despreocupada" do próprio país basco, mas aespanholada por natureza com a cultura francesa mais "austera")

Morcilla de Burgos


Cojonudos



E para finalizar, depois de toda a alegria que Espanha me dá, sinto que devo partilhar um bocadinho, e como tal vou dar uma receita, a receita das minhas tapas preferidas, típicas de Burgos (como nem podia deixar de ser), os Cojonudos. Cojonudos, traduzido é um palavrão, não vou dizer qual, porque se pensarem um bocadinho chegam lá, a razão para este nome é porque são muito muito picantes e então cada vez que alguem comia, dizia "Cojones"!!! Hoje em dia é um nome banal, e ninguém leva a peito ou fica escandalizado como provavelmente aconteceria para os nossos lados... mas o que importa é que é mesmo bom, exprimentem:


(vou por com os ingredientes tradicionais, depois poderá aportuguesar a questão)

1 baguete
1 chorizo picante
1 embalagem de pimentos piquillo
6 ovos de codorniz

Cortar a baguete em 6 fatias em viez. Colocar no forno a tostar ligeiramente.
Cortar o chorizo em rodelas em cerca de 1cm, se for grande, partir em metades. Colocar o chorizo numa plancha (espécie de placa, grelhador sem as ripinhas) até ficar cozinhado o suficiente (não em demasia para não ficar duro).
Cortar os pimentos piquillo em tiras de meio centímetro de espessura, e fritar ligeiramente em pouco azeite.
Fritar os ovos de codorniz em azeite.
Montar conforme a figura acima. 

Se subtituir o chorizo por morcilla, chamam-se cojonudas

Acompanhar com um vinho tinto, uma canha ou uma cidra, 

Espero que gostem e até breve. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

3 é a conta que Deus fez - Saladas de 3 ingredientes



Salada de Acelgas com Abóbora Assada e Beterraba


Salada de figos com presunto e rúcula

Chega o calor e automaticamente as saladas começam a ser uma excelente opção, são frescas, leves, rápidas e tudo o que se quer. No entanto é normal que no começo da estação as comecemos por fazer com mil ingredientes, e ao fim de pouco tempo já estamos fartos porque já esgotamos todas as hipóteses e acabamos por andar sempre há volta do mesmo. É essencial não sobrecarregar os pratos, um prato simples não deixa de ser delicioso se escolhermos os ingredientes e assim temos uma enorme variedade. Por tanto hoje tentei deixar-vos ideias originais de saladas apenas com três ingredientes. 







Salada de Endívias com Roquefort e Nozes


No que toca as saladas, na minha opinião existem três pontos essenciais: a frescura dos ingredientes, conseguir obter uma diferença notável de texturas (para não ter a sensação ao fim de um tempo que nos torna-mos uns grilinhos) e por último como os olhos também comem, cor, estes três têm que claro criar uma óptima combinação a termos de sabor, criando se possível contrastes e casamentos perfeitos!! Depois é só criar ao vosso gosto, agora por favor explorem bem as saladas, escolham primeiro a base da salada e não se limitem só a alfaces e rúculas, experimentem agriões, canónigos, espinafres frescos, acelgas, chicória, radicchio, massa, arroz, quinoa, lentilhas, cous-cous, batatas (cozidas ou assadas) ou mesmo legumes (cozidos ou assados), feijões e grão. O ponto a seguir é pensar no ou nos ingredientes principais, pode ser carne ou peixe (e não se cingam só ao frango grelhado e ao salmão fumado, atum fresco selado fica maravilhoso, assim como bacalhau, ou um peixe branco grelhado, ou na carne rosbeaf, pato assado, enchidos ou carnes frias...), os legumes já sabem a lista infindável mas não se esqueçam de legumes como os rabanetes, os rebentos ou a beterraba que são deliciosos e tantas vezes esquecidos, mais uma vez os legumes que não são tão apreciados frescos, podem também ser adicionados como courgette grelhada, brócolos e couve-flor cozidos, abóbora assada, pimentos assados.... Temos também a fruta que é uma opção fantástica muito fresca e cria fabulosos contrastes, e penso que não há nenhuma fruta que não fique bem de alguma forma nas saladas!! As ervas aromáticas ficam excelentes em saladas também sejam apenas alguns coentros misturados na alface ou se forem apreciadores de sabores fortes podem até ser utilizadas como base em algumas saladas. Depois temos, os queijos, os frutos secos e as sementes, os croutons (os últimos são perfeitos para criar contrastes de textura) e por fim os molhos, sejam eles vinagretes,molho cocktail, molhos de alho, molhos agridoce, molhos com base de iogurte, ou simplesmente um bom azeite e um vinagre que gostem, visto que existem tantos e todos com sabores diferentes.


Salada de Melância com Rúcula e Queijo Fetta



E assim criam saladas fantásticas como:
Salada de acelgas com abóbora assada e beterraba
Salada de cenoura, com sultanas e molho de citrinos
Salada de melancia, queijo fetta e rúcula
Salada de endívias, com nozes e roquefort
Salada de tomate, mozarela e manjericão (caprese)
Salada de batatas com mostarda antiga e pickles
Salada de orichetti (massa) com pesto e tomate seco
Salada de pisseli (massa) com alcachofras e molho de tomate e azeitonas
Salada de cous-cous com uvas e frutos secos
Salada de rabanetes com coentros e romã
Salada de courgettes grelhadas, queijo fetta e hortelã
Salada de feijão-verde com cebola roxa e amêndoas
Salada de espinafres com magret de pato e laranja
Salada de pato com pêssegos e avelãs
Salada de rúcula, presunto e figos
Salada de rebentos de soja com peru grelhado e cajus
Salada de frango grelhado com brócolos e couve-flor
Salada de favas com linguiça e hortelã
Salada de borrego com menta e romã
Salada de espargos com gambas e manga
Salada de sapateira, aipo e maçã verde
Salada de abacate, papaia e surimi
Salada de arroz de açafrão com atum selado e pimentos assados
Salada de penne (massa), salmão fumado e queijo creme 
Salada de alface romana com anchovas e parmesão
Salada de farfalhe com atum e alcaparras
Salada de polvo com pimentos e cebola picada
Salada de truta fumada com uvas e alcaparra

E aqui tem algumas ideias simples, mas acreditem todas elas deliciosas para servir como entradas ou mesmo como prato principal a qualquer altura tanto para um jantar em família, como para um almoço de amigos ou mesmo num jantar especial. 



Salada de cenoura com sultanas e molho de citrinos

Boas saladas ;)

domingo, 26 de junho de 2011

A primeira receita - A Vichyssoise

Já passaram alguns meses desde a mudança do blog, e apesar de os artigos não terem sido ainda muitos (o que espero mudar brevemente), acho que já é tempo de dar a primeira receita. Como disse no primeiro artigo, não sou a favor de dar receitas, porque acho que o que a cozinha têm de maravilhoso é cada um poder cozinhar à sua maneira e ao seu gosto, fazendo com que cada prato cozinhado seja ainda mais especial já que foi criado ou re-adaptado por si, e não simplesmente copiado de uma outra receita. No entanto para que tal possa acontecer é necessário que hajam algumas bases, e existem alguns pratos que não devem ser alterados, havendo uma única receita que deve ser igual em qualquer lugar do mundo, estas são as bases da cozinha, e são principalmente algumas das mesmas que vos pretendo passar. No entanto hoje vai haver um bónus, isto é, excepcionalmente hoje dar, para além da receita clássica vou dar também uma variação desta, feita por mim, para mostrar como é simples transformar uma receita (mesmo que se trate de uma base como a receita de hoje, é possível se seguirmos a técnica e utilizarmos igualmente os ingredientes-chave). Penso que para conseguir mesmo inspirar a cozinhar e criar novos pratos é essencial dar um exemplo mais prático de vez em quando, em vez de ser só teoria. 
Hoje, em seguimento do artigo anterior "Sopas Frias ou Festa das Cores", a receita vai ser a Vichyssoise, inventada nos EUA por um Chef francês, é considerada como a Rainha das Sopas Frias. Trata-se de uma sopa de batata e alho francês ligada com natas. 





A receita é a seguinte: 

Vichyssoise Clássica
Ingredientes:
250 g de alho-francês (só a parte branca)
250 g de batatas descascadas
50 g de manteiga
1,75 l de Caldo de Galinha*
200 g de natas
sal e pimenta q.b.
Cebolinho(guarnição)
Chalotas (guarnição)

Preparação:
Cortar o alho-francês e as batatas em rodelas. Refogar o alho-francês na manteiga, com tampa, sem deixar corar. Juntar as batatas, mexer bem, tapar, e deixar cozinhar cerca de 5 min (cuidado para não agarrar e/ou escurecer). Adicionar o caldo de galinha e deixar ferver até que as batatas estejam bem macias, cerca de 30 min. Rectificar temperos, a pimenta será sempre necessária (de preferência usar pimenta preta acabada de moer), mas o sal pode ser ou não necessário dependendo da quantidade de sal já presente no caldo de galinha. Passar o creme com uma varinha mágica ou misturadora, e passar por um chinês (passador com rede muito fina), para que fique apenas um creme macio, sem presença de vestígios de algum alimento que não tenha sido completamente triturado. Juntar as natas e levar de novo ao lume, deixar ferver, mexendo sempre. Retirar do lume quando o creme já estiver bem ligado. Deixar arrefecer e servir frio (ou morno), com chalotas refugadas e escorridas (devem estar ligeiramente crocantes - Al dente, num ponto perfeito entre o cru e o cozido, sem estarem coradas) e cebolinho picado. 


A minha Vichysoise de Camarão: 

Como podemos ver na figura, eu resolvi fazer ma adaptação da receita para uma Vichyssoise de Camarão. É algo muito fácil pois sendo esta uma receita clássica, a única coisa que podemos alterar será o caldo, e a guarnição da sopa. E foi precisamente o que fiz. Substituí o caldo de Galinha por Caldo de Camarão* e na guarnição coloquei tártaro de camarão (camarão cortado em pequenos cubos, e dois camarões grandes para fazer mais vista e proporcionar altura ao prato, para além disso juntei também rebentos de rabanito simplesmente com o objectivo de conferir mais cor, fazendo um contraste). 




E como vêm com uma simples alteração é possível criar novos pratos, ou neste caso fazer variações de pratos clássicos, ao nosso gosto e medida. 
Espero ter inspirado ;) Boas sopas 




Notas:
1. Quando se trata de procurar receitas base como estas o ideal é procurar nas Bíblias da Cozinha, isto é livros como o Larousse Gastronómico, o Livro da Pantagruel, o Escoffier e etc, que dentro do possível são os mais fieis as receitas clássicas mesmo que por vezes possam conter umas pequenas alterações, ou não estejam muito completos, como é o caso da Vichyssoise. No entanto contém sempre a essência e técnica principal do prato, dentro do que há, são sem dúvida os mais fidedignos. A receita de hoje é uma receita já muito antiga, passada pela a minha avó, conferida com as minhas aulas de cozinha, o livro da Larousse Gastronómico e da Pantagruel e ainda outros conhecimentos que fui adquirindo ao longo dos tempos. Não é fora do comum que mesmo tratando-se de uma receita base como esta, existam pequenas alterações de receita para receita, que pode ter haver com tipo de batatas utilizadas ou uma simplificação das técnicas entre outros pormenores técnicos,
2. * É de evitar sempre que possível o uso de caldos industrializados, aqueles cubinhos mágicos podem parecer uma salvação vinda do além mas não é nem pouco mais ou menos o mesmo sabor de um caldo caseiro. É claro que entre isso ou nada, é sempre a opção mais viável, eu própria uso em dias de que não tenho muito tempo, pois realmente é uma opção muito prática... assim como muitos muitos restaurantes os usam. Mas se possível, da próxima vez que assarem um frango, guardem os ossos e ponham a ferver juntamente com um ramo de cheiros (conjunto ingredientes aromatizantes como o alho francês, cebolas, cenouras e ervas aromáticas)num grande tacho com água até que este reduza para cerca de metade do seu volume inicial. É claro que se falarmos de um caldo de camarão, serão as cascas e cabeças dos camarões em vez dos ossos de galinha, ou se falarmos de um caldo peixe, as espinhas e cabeças e assim sucessivamente. Mas como vêm é algo que é feito com os aproveitamentos, por isso até acaba por sair mais barato, e acreditem que em termos de sabor não tem comparação (para nem falar a nível nutricional), quanto ao armazenamento é muito fácil - vá fazendo sempre que tiver ossos/ cascas/ cabeças/ espinhas disponíveis e vá congelando em pequenas doses, em caixas ou sacos de congelação (sempre identificadas), e quando precisar é só descongelar. 



quinta-feira, 23 de junho de 2011

Sopas Frias ou Festa das Cores


É quase inevitável a diminuição substancial do consumo de sopas quando o calor começa a chegar.. Mas porque é que tem que ser assim?? Existem tantas e tantas deliciosas e coloridas sopas frias. De facto se pensarmos bem as sopas são a resposta perfeita a um tempo em que esta cada vez mais consciencializada a importância de uma alimentação saudável à base de produtos frescos e que tenha em consideração as questões financeiras e ambientais que acontecem aquando o desperdício dos alimentos. Para além de saudáveis, fáceis, rápidas e saborosas são também muito práticas, pois de acordo com simples pormenores é fácil adaptar para um jantar entre amigos, um almoço de Verão mais leve, para fazer uma vistaça como aperitivos os entrada num jantar ou para qualquer outra ocasião que queira, sem nunca deixar de ser ideal mesmo para qualquer simples almoço ou jantar do dia-a-dia nestes tempos mais quentes.

Sopa de Favas com Hortelã e Creme fraiche
A meu ver as sopas frias dividem-se em dois grupos: 
- as sopas tradicionais, que são servidas depois de arrefecidas - a estas referimos qualquer sopa que faça em qualquer altura do ano, que possa também servir fria, mesmo que nunca tenha pensado nisso experimente, é claro que há sempre umas mais apreciadas quando frias do que outras, por exemplo as de alho francês, de espinafres, de tomate, de cenoura e abóbora, etc. Aventure-se a experimentar as tradicionais sopas frias (que de preferencia devem ser passadas em creme) e se quiser pense ainda em aromas frescos que possa juntar como ervas aromáticas para as tornar ainda mais agradáveis e com sabor a Verão. Não se esqueçam das sopas de peixe, galinha e amigos, de preferencia em forma de aveludados, a ter em conta principalmente os dos mariscos que são mais que apreciados frios
- as sopas batidas - estas podem ser consideradas quase como sumos, pois não são cozinhadas, e por isso são ainda mais fáceis e rápidas de fazer e consistem apenas em triturar os alimentos, é o caso do gaspacho, da sopa de meloa, da sopa de beterraba e etc.

Como em tudo o uso da imaginação também conta muito por isso atreva-se a cozinhar as misturas mais loucas que lhe vierem a cabeça e vai ver se não saem umas agradáveis surpresas. Os concelhos nutricionais, são claro: tente não usar a batata, e fique longe das natas. No entanto aqui vão algumas ideias:
Espinafres, Brócolos, Nabo, Alho Francês, couve-flor Cogumelos, Favas Espargos, Cenoura, Abóbora, Courgette, Tomate e Pimento Assado, pinhões, aveludado de marisco e a rainha das sopas frias a Vichyssoise. 
A cru: gaspacho, beterraba, manga, meloa, melão, ervas aromáticas, milho, abacate, pepino e iogurte.


Gaspacho (com cebolinho e tomate cherry), Vichyssoise de camarão (com camarão), Creme de cenoura, abóbora e sumo de laranja (c/ folhas de espinafres e laranja), Sopa de beterraba com maçã verde (c/ rebentos de rabanito), Creme de espinafres (c/ roquefort e nozes), Sopa de Meloa (c/ presunto)


Toque final

Num jantar ou almoço de amigos, mesmo que seja algo simples é sempre bom quando podemos apresentar as coisas de uma forma elegante, o que com sopas frias não é muito difícil, bastando pensar em alguns pormenores. Primeiro, o local onde as servimos pode mudar completamente o aspecto, e já que se tratam de cremes, temos a vantagem de podermos esquecer o tradicional prato de sopa e servir em chávenas, taçinhas ou mesmo em copos (na imagem utilizei copos de shot, como a quantidade é pequena dá para servir algumas variedades diferentes fazendo um jogo muito engraçado tanto em cores como em sabores), garanto que fica super elegante e apesar de tudo divertido. Mas, se não se quiser livrar do prato de sopa tem outra opção, que está super na moda e é muito comum aparecer nos casamentos mais XPTO, chiquiterrimos, VIPs o que quiserem... trata-se de no prato da sopa colocar apenas a guarnição da sopa (isto é, alimentos sólidos que componham a sopa, estamos a falar por exemplo dos pimentos, pepino, tomate, presunto e croutons no caso do gaspacho, mas nem tudo tem que ser tão linear e pode juntar a uma sopa tudo o que quiser desde que ache que faz uma boa ligação, tornando-a ainda mais rica e original), tudo muito direitinho (ou não), com um aspecto bonitinho, de preferencia no centro do prato, e que esteja o mais em altura de possível, maaaaaas, agora vem o importante: não se coloca a sopa, vai assim para a mesa, a sopa vai em jarros, e coloca-se na mesa nos próprios pratos, o aspecto é espectacular e garanto que faz sucesso!! 
Falemos então do verdadeiro toque final, com isto quer dizer aqueles ingredientezinhos que pode juntar para dar um aspecto e sabor (em alguns casos, noutros nao faz grande diferença) e que podem transformar tudo. Então em primeiro lugar o mais obvio: estamos a falar de legumes, podemos juntar mais legumes, em juliana (linguagem técnica para tirinhas), burnesa (isto é, cubinhos), folhas (de espinafres frescas por exemplo), rebentos o que quiserem, tem duas hipóteses, podem ir buscar sabores da sopa, por exemplo uma sopa de tomate, adicionar uma burnesa de tomate, que irá fazer um contraste apenas em textura (o que só por si já é muito importante e faz diferença), ou se estiverem mais há vontade podem juntar outros que se complementem ou que façam um contrate de sabores (por exemplo juntar folhas de espinafres frescas a sopa de cenoura, ou grãos a um creme de espinafres ou ainda uma juliana de aipo um aveludado de marisco). Podemos juntar também fruta, em burnesa ou juliana, ou mesmo zesters (casca fina dos citrinos, sem parte branca) mas também sumos de fruta, por exemplo juntar sumo de laranja a sopa de cenoura. Depois temos os estaladiços, tudo o que faz contrastes de texturas é bom, principalmente quando e crunchie, e isto é para ser aplicado em tudo, nas sopas podemos juntar, croutons, frutos secos, ou sementes como o sésamo, pevides de abóbora, etc. Temos as ervas aromáticas que ficam sempre bem - qualquer uma. Ainda o peixe, a carne (principalmente fumados), e o marisco, presuntos, bacon, linguiça, o salmão fumado, os camarões, etc etc etc. E por fim as natas, o leite de coco, os cremes fraiches, o requeijão, o ricota e outros queijo que goste. Se não tiver para nada disto, uma pinguinha de azeite (aromatizado se puder ser) já faz só por si um óptimo trabalho.




Vichyssoise de Camarão (guarnição: tártaro de camarão, rebentos de rabanito e amendoas tostadas)


Sucesso garantido. Boas sopas ;)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

simples ideias - grandes feitos

É verdade que não se deve catalogar entradas, canapés e amuse-bouche, e colocar tudo no mesmo saco.. mas a razão que o faço, é simplesmente porque estes três, ao contrário de um prato principal são muito adaptáveis, isto é, tendo uma conjugação de sabores perfeita para uma entrada é muito fácil transforma-la num canapé ou num amuse-bouche... ou vice versa!!! Mas há de facto que ter em conta, que uma entrada à partida é servida num prato e é mais substancial do que um amuse-bouche, este tal como o nome indica é o que dá inicio á refeição propriamente dita. Um amuse-bouche, pode ser servido num prato, ou sob a forma de finger food, e têm como objectivo entreter o paladar, ou seja, abrir o apetite para a refeição que se segue, deve ser numa quantidade reduzida, e segundo os chefs um bom amuse-bouche é definido pelo desejo de que este não fosse tão pequeno... quando não é saciável!!! Canapés, têm mais versatilidade e tanto podem ser servidos num início de uma refeição, como numa inauguração de uma exposição por exemplo, e desde que tenha uma conjugação coerente, dá asas á imaginação...
Aqui vão algumas ideias:

-  carapccio de salmão em marinada oriental
-  ceviche de salmão
-  canolli de abacaxi com camarão e creme de ervas
-  tostaditas de gambas e abacate
- espeadinhas de camarão exóticas com molho de cocô
- brochettes de vieiras enrolas em presunto com molho béarnaise
- teriyaki de salmão picante 
- rolinhos de folha de arroz com papaia e surimi
- pastelinhos de sapateira á maneira oriental
- ameijoas com manteiga de gengibre e lima
- mexilhões à espanhola
- focaccine de cogumelos bravos e roquefort
- envelopes de massa brick, chevre e mel
- verrines de chevre com tomate seco e tapanade
- riso frito com molho de tomate
- involcruos de magret fumado, rucula e roquefort
- espetadinhas de figos e presunto
- mini panquecas de pato com molho de ameixa
- espetadinhas com frango satay picante
- brochettes de galinha com molho de amêndoim

sábado, 12 de junho de 2010

Entradas de cair para o lado

Canapés, Entradas, Acepipes, Tapas, Amuse-bouche ou outro nome que lhes queiram chamar foi para mim uma melhores invenções de sempre... Frios quentes, doces, salgados, picantes, coloridos, pequeninos, maiorzinhos, elegantes, clean, formais, informais, lindos, deliciosos.... São identificados pelos chefs como: "versáteis", pelas donas de casa por: "fim das pilhas de loiça para lavar", para os espanhoís são: "dia-a-dia", mas para as VIP são: "chiquérrimos", e para mim: "Hmmmm"!!! E porque não fazer uma festa de canapés??? Basta usar a imaginação, e mesmo que não queira inovar e arriscar numa refeição arrojada de apenas canapés, use-os num cocktail, num lanche, numa ceia, como entrada de uma refeição, como recepção de alguém ou de alguma coisa, como distração dos convidados enquanto esperam por uns e outros, ou para disfarçar aquele atraso do jantar que nunca mais fica pronto, como acompanhamento do chá da tarde, ou do café depois de almoço, para uma reunião de trabalho, para impressionar, para algo novo, para algo diferente, para arrojar, para variar, ou mesmo para calar a boca dos Homens num jogo de futebol!!! Os limites, assim como as composições e variações são ilimitadas.... Atreva-se e surpreenda!!!!